Vivo um período de grande desasossego interior. Mas um desasossego bom, de introspecção, de desafio, de busca. Coloco-me todas as questões.
Mas o fascinante nisto é que este desassossego assaltou-me num momento de paz interior como já não tinha há bastante tempo. Paris deu-me esta luz, guiou-me na saída de um momento difícil.
Reencontrei-me, após a decepção. E, de novo, estou inquieto. Mas incompleto. No entanto, feliz. Ou, pelo menos, em paz.
Há uma intermitência de momentos entre aquilo que sentimos e a capacidade ou disposição de o verbalizarmos. É a essa voz, que vem bem de dentro do nosso ser, que tento aqui dar um palco.
Tuesday, November 04, 2008
Wednesday, October 08, 2008
Chuva
Há dias em que tudo parece tão cinzento...Mas em que, ainda assim, parece que qualquer coisa de bom fervilha dentro de mim...como se estivesses ali ao virar da esquina. E, enfim, eu pudesse viver.

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer ....
A chuva de lágrimas molhava-me o rosto...
(Mariza, "Chuva")
Friday, September 26, 2008
Tuesday, September 16, 2008
Em busca de quê?

Há dias em que me canso desta busca.
Há dias em que sinto falta de força para continuar a procurar. E se, uma vez na vida, em vez de tanto procurar, fosse eu o encontrado?
Seria essa a vez em que, de uma vez por todas, deixaria de me desiludir? E que poderei deixar de ouvir a canção da Adriana Calcanhotto:
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
Monday, August 11, 2008
A derradeira cicatriz...
Pensei muito em ti estas férias. Por tudo. E por nada. Quando comecei a recear que fossem mais umas férias em que estivesses omnipresente no meu pensamento, eis que sonho contigo duas vezes. Em duas noites consecutivas. E desta vez, não foi um dos nossos sonhos de sintonia, de partilha. Sonhei com a noite em que acabámos. Sonhei com essa noite de Julho em que puseste fim ao nosso sonho.
E lembrei-me de tudo, (re)vivi todos os sentimentos de mágoa, de tristeza, de revolta, de incredulidade que essa noite me trouxe. E voltou a ser claro no meu espírito (e sobretudo no meu coração) o quanto me magoaste. Como não te portaste bem comigo, como me trataste.
Ao acordar, abro os olhos e desperto para o pesadelo que imaginei ser o resto dos meus dias sem ti - mas, acima de tudo, acordo com uma inabalável certeza da desilusão que foste para mim nesse momento. Como te deixaste deslumbrar por uma vida que tinhas tanta certeza viria a ser melhor do que a que eu tanto sonhava dar-te... Ainda hoje me surpreende a facilidade, a ligeireza como nos deixaste para trás...
E dou por mim pensar como, naqueles dias que se seguiram, ainda mantive a secreta esperança de tudo voltasse atrás, que percebesses que era cmg que querias ficar. Que estúpido fui! Há tanto tempo que já estavas a viver outra vida, com a cabeça e o coração longe de mim...
Mas por mais que tenha doído, tenho hoje a mesma certeza absoluta que tive naquela noite - nunca, mas nunca, te faria o mesmo. Desse o mundo as voltas que desse. Nunca te magoaria daquela forma. Nunca te deixaria. Nunca te trocaria.
Não há outra mulher como tu, é certo. Mas na profunda lucidez de dois sonhos, cicatrizei-te em definitivo. Esqueci-te.
Thursday, July 17, 2008
Da minha essência
Poucos poemas encontrei na vida com os quais me sentisse tão identificado como este de Ricardo reis, lido na exposição sobre José Saramago:
Para ser grande, sê inteiro.
Nada teu exagera, ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim, em cada lado
a lua toda brilha.
Porque alta vive.
Para ser grande, sê inteiro.
Nada teu exagera, ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim, em cada lado
a lua toda brilha.
Porque alta vive.
Sunday, July 06, 2008
Amor e paz?
Leio hoje na Pública um texto muito interessante sobre o casamento, o amor, a paixão....A certo ponto, é citado um poema de Mart'Nália:
«Quem anda atrás de amor e paz, não anda bem
porque na vida quem quer amor, paz não tem.
Seja o que for, eu sou mais do amor, com paz ou sem.
Sei que é demais querer-se paz e amor também (...)
Vou sempre amar, não vou levar a vida em vão
nem hei-de ver envelhecer meu coração.
Eu hei-de ter, ao invés da paz, inquietação.
Houvesse paz não haveria esta canção.»
Quero de volta a minha inquietação. Porque partiste? Não quero paz, quero chama. Não quero segurança. Quero amor.
«Quem anda atrás de amor e paz, não anda bem
porque na vida quem quer amor, paz não tem.
Seja o que for, eu sou mais do amor, com paz ou sem.
Sei que é demais querer-se paz e amor também (...)
Vou sempre amar, não vou levar a vida em vão
nem hei-de ver envelhecer meu coração.
Eu hei-de ter, ao invés da paz, inquietação.
Houvesse paz não haveria esta canção.»
Quero de volta a minha inquietação. Porque partiste? Não quero paz, quero chama. Não quero segurança. Quero amor.
Monday, June 23, 2008
Ainda e sempre tu...

Como te disse há pouco, tenho sempre receio que chegue o dia em que te vais esquecer de mim. Oxalá esse dia possa nunca acontecer.
Ontem tive muitas saudades tuas, nossas.... Quanto mais a vida me pega pela mão para me levar pelos seus caminhos misteriosos, mais tenho a certeza de que, apenas no momento em que tu seguravas a minha outra mão nesse caminho, eu fui feliz.
Independentemente de para onde me deixe conduzir pela vida, tu serás sempre...simplesmente tu, e tudo o que significas. Lembras-te quando decoraste a casa (ou, melhor, o quarto!) com balões?
Todos os dias 22 de Junho fui mimado por ti, fui amado cm nenhum outro homem teve a sorte de ser...Mas a teu lado, fui amado dessa maneira em todos os outros dias que não eram dia 22.....
Fui a pessoa mais importante na vida da mulher mais especial do mundo. E isso, nunca ninguém mo tirará.
Fui a pessoa mais importante na vida da mulher mais especial do mundo. E isso, nunca ninguém mo tirará.
Sempre juntos, sempre.
Tuesday, April 29, 2008
To love you in your deepest sleep

Cada pessoa tem as suas próprias formas de sentir o amor, de o interpretar, de o viver, de dele retirar a felicidade, a paz e a harmonia que amar significa (ou deve significar) na nossa vida..
Eu busco constantemente esses pequenos prazeres, esses sublimes deleites de, num singelo e único momento, imortalizar o sentimento de amar alguém. E encontro-o numa das suas formas mais simples - olhar para a pessoa que amamos no seu sono mais profundo.... Como na canção de Ayo:
"Watching you while you sleep..my hand on your breast feels your heart beat
Whispering in your ears explaining the way you make me feel
You made my dreams come true 'cause all I've missed I found in you
I'm so addicted to your love...you will always have the best place in my heart
If there was only place it would be by your side 'cause just with you on my side I can make it right...
If there was only one place would it be by my side..would you share all your dreams with me for the rest of our life..
(...)
What we have...is so hard to find..so let's hold on to it till the rest of time..."
Whispering in your ears explaining the way you make me feel
You made my dreams come true 'cause all I've missed I found in you
I'm so addicted to your love...you will always have the best place in my heart
If there was only place it would be by your side 'cause just with you on my side I can make it right...
If there was only one place would it be by my side..would you share all your dreams with me for the rest of our life..
(...)
What we have...is so hard to find..so let's hold on to it till the rest of time..."
Hospitais....um dos locais mais deprimentes do mundo

Como uma esmagadora maioria de nós, nasci num hospital. A minha diferença é que, depois, também cresci num...(o mesmo em que nasci, pelo menos houve coerência). Por razões familiares, passei a minha infância até aos 6 anos na creche do Hospital onde trabalham a minha mãe e a minha avó. Talvez por esse motivo, nunca tive aquela aversão que a mesma esmagadora maioria tem em relação aos hospitais. São, para mim, lugares familiares.
Mas neste últimos tempos, confrontei-me com os meus próprios limites relativamente a esta familiariedade. Nunca sabemos verdadeiramente o que pode ser aquela aversão até um dia entrarmos num hospital para visitar um dos nossos...saber que temos encontro marcado com alguém que sofre numa cama de hospital, saber que temos pouco mais de três horas para lhe dar todo o amor que trazemos.
E sem falar naqueles que sofrem tanto ou mais numa abandonada cama de hospital e que não têm família, nem amigos, nada nem ninguém, para trazer um pouco de conforto e amor...
Os hospitais são lugares frios...mas há alguém que, de uma forma diferente da família, dos amigos, lhe pode conferir vida e alegria - os profissionais de saúde. Faz toda a diferença quando o médico que nos opera, a enfermeira que nos dá a medicação ou a auxiliar que nos acompanha em tudo compreendem que trabalhar num hospital não é o mesmo que numa fábrica, numa loja ou num escritório. Num hospital, toda a diferença está na dimensão humana que podemos conferir ao nosso trabalho - e essa dimensão humana tem um poder transformador nas vidas de todos aqueles que alguma vez na vida tiveram (ou terão) que passar, por um motivo ou outro, pela porra de um hospital. Ou seja, todos nós.
Não é um verdadeiro profissional de saúde quem quer. Apenas quem tem esta especial vocação, esta tão simples, mas tão transcendente, capacidade humana.
Este post presta homenagem a todos quantos dedicam a sua vida profissional a emprestar diariamente esta sua transcendente capacidade para o bem-estar dos outros. Como tu, mamã.
Tuesday, March 18, 2008
Época de balanços

Nas últimas semanas tenho dado por mim a fazer balanços, a reflectir sobre como a minha vida mudou nos últimos dois anos...onde estou agora, para onde quero ir, o que faço presentemente, o que quero fazer a seguir....
Estou um bocadinho cansado....este tempo deteriora-me o ânimo, lentamente.....tudo tem os seus ups and downs bem sei , mas sinto muita falta da alegria de Lisboa, da luz, do sol, das lojas abertas à noite, da sessão de cinema às 24h....de ir para o trabalho de manhã e, mesmo parado no trânsito, desfrutar do sol....
Esta etapa trouxe-me tanta coisa boa...aquela felicidade que há muito buscava, uma realização profissional incomparável, um crescimento pessoal sem paralelo! Quero continuar....mas por outro lado, há tanto que me faz falta... Mas também há tanto (e tão importante) que tenho aqui e que não terei lá....
A vida é um lugar estranho...
Sunday, December 02, 2007
Um frágil virar de página

Penso no futuro , recordo como o meu passado foi feliz...olho para o futuro, e desejo que este passado possa, de alguma maneira, voltar a ser o meu presente.
Viro agora uma página. Investimos, acreditámos, envolvemo-nos. Sonhámos...intimamente até achamos que sim...
Viro agora uma página. Investimos, acreditámos, envolvemo-nos. Sonhámos...intimamente até achamos que sim...
Aprendemos, sempre. Tiramos ilações, lições mesmo. A fragilidade apodera-se de nós, subtilmente (com perfídia!) e retira-nos lucidez.... passa a ser um factor dominante na maneira como nos vemos, como sentimos...torna-nos mais vulneráveis, susceptíveis, disponíveis para acreditar....
Esta fragilidade (solidão?) faz-nos descurar as bases, os alicerces, rouba-nos equilíbrio, algum discernimento. Superar esta fragilidade é o meu desafio. Quero virar esta página e voltar a ser eu.
Sem voltar ao passado, mas sabendo que o meu futuro nunca poderá ser menos do que tu me deste e me fizeste viver.
Viro uma página, ao sabor do vento.... Mas quero continuar a escrever esta minha sinuosa (e feliz!!) aventura da vida. Mas...para onde sopra este vento? Para onde me levas? E para quem?
Tuesday, November 13, 2007
O barco negro da saudade
Tive a felicidade de confortar o meu espírito com uma soirée magnífica proporcionada pela Mariza, no Palais des Beaux Arts em Bruxelas..Recordo tantos momentos dessa noite - e as consequentes emoções intensas e boas que geraram... - e dei por mim a pensar cm é possível que alguém viva verdadeiramente sem saborear momentos destes..
É espantosa a capacidade que a arte - e, em particular, a música e o fado - têm de nos transportar para outros mundos, de nos fazer mergulhar no nosso íntimo mais profundo, e descobrirmo-nos, conhecermo-nos, pensarmo-nos...
Foi o que me aconteceu nessa noite. Ao ouvir o Barco Negro, por exemplo.
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir
Pois tudo em meu redor
Me diz que estás sempre comigo
No vento que lança areia nos vidros
Na água que canta, no fogo mortiço
No calor do leito, nos bancos vazios
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.......
Saturday, November 10, 2007
Monday, August 27, 2007
Um dia no parque
Que título mais banal para um texto. Pois é. Mas não deixa de ser menos verdade que, hoje em dia, poucos de nós podem iniciar um post com este título. Sobretudo se quisermos partilhar o estranhamente familiar conjunto de sentimentos que um par de horas sentado na relva pode provocar.
Hoje fui ao parque. Há muito tempo que não o fazia. E o mais curioso de tudo é que não o planeei. Por isso me soube tão bem. Outra verdade banal, bem sei – planeamos demais, calculamos ao milímetro, não vivemos; cumprimos um plano. E se olharmos para trás acabamos por perceber que alguns dos momentos mais fantásticos da nossa vida aconteceram por acaso, sem qualquer plano. E ainda assim, parece que teimamos em não aprender…. Saboreamos, desfrutamos, mas quando voltamos ao nosso medo de viver, tornamos a planear… sem termos presente em todo e a cada momento que, na vida, o que muda tudo são detalhes, imprevistos, situações, pessoas e momentos inesperados! Aquilo que o magnífico filme Ensemble c’est tout nos ensina a chamar de poder transformador das pequenas coisas…
O contexto favorecia…sozinho numa cidade estrangeira, acabado de chegar, tinha de suprir uma necessidade básica – almoçar. Fi-lo, sozinho ainda. Depois de acabar – rápida refeição, pois se há momento deprimente na vida é ter de comer sozinho – apeteceu-me caminhar… Nunca tinha estado nesta carismática cidade basca de Bilbao e parece que toda a vida caminhei por estas ruas. É estranho isto – premonitório. Como se o meu destino final naquele dia fosse simplesmente encontrar aquele magnífico jardim… Encontrei-o, esplêndido, com árvores de que não sei o nome, mas que me apetecia que pudessem conversar comigo e partilhar as inúmeras histórias a que por ali já assistiram… lagos, fontes, canteiros, flores, casais de namorados, amigos, gente que passa por ali a seguir ao almoço à procura de uma pausa no frenético quotidiano em que gostamos de nos perder. Avós com os netos, alguns com os netos e os filhos (é espantoso o sentimento de pertença e solidariedade familiar que se sente aqui!), crianças a brincar… até gente que simplesmente passa por ali a caminho dos seus destinos imediatos, que cruzam as avenidas deste imenso parque como se estivessem a atravessar uma passadeira – importante é chegar rápido ao outro lado. Será que algum dia irão perceber que só lugares mágicos como este nos podem trazer a paz interior que precisamos??
Fui-me embora. Queria regressar, mas vestido à altura. Ou seja, despido de objectos – sem telemóveis, ipod’s, cartões, nada. Só o meu livro do momento. E assim regressei. Sentei-me. Olhei em redor. Senti-me em paz (num dia em que precisava tanto). Fechei os olhos. E pensei em ti.
Era inevitável. Ao mesmo tempo que tudo isto acontecia – chegada para férias, cidade e país por descobrir, o sentimento de aventura, almoço sozinho, descoberta interior proporcionada por um lugar de magia e esperança (de que o mundo pode sempre voltar a sorrir-nos!) – tudo ficou muito claro na minha cabeça, no meu coração. Como se uma lucidez incontestável estivesse ali diante de mim, assumindo a forma de uma árvore que, com a sua sabedoria secular, me dissesse baixinho ao ouvido todas as coisas que não tenho coragem de me dizer a mim mesmo. E que me impedem de viver.
Mas ao mesmo tempo, tudo parece não fazer sentido algum. Já não és minha, apesar de saber que apenas contigo eu fui verdadeiramente de alguém. Amar-te-ei para sempre, disse-to desde o primeiro ao último minuto – mesmo quando nos separámos. Mas as nossas vidas seguiram caminhos tão diferentes! E hoje não tenho a lucidez de conseguir ver – onde está a árvore agora!? – o que vai acontecer a seguir.
Mas estou sereno. Sei que vou ser feliz. Que vou voltar a amar.
E de hoje a uma semana, quando as férias e esta aventura de descobrir lugares, cheiros, sabores (as pequenas coisas que transformam sítios banais como jardins em momentos transformadores das nossas vidas) saberei com toda a certeza que tudo isto faria muito mais sentido contigo aqui ao meu lado.
Sabes uma coisa? Sempre juntos, sempre. Mesmo que nunca mais a vida faça cruzar os nossos caminhos. Não tenho plano nenhum. Sei, bem no meu íntimo, que alguma pequena coisa transformará a minha vida.
Como uma ida ao parque.
Hoje fui ao parque. Há muito tempo que não o fazia. E o mais curioso de tudo é que não o planeei. Por isso me soube tão bem. Outra verdade banal, bem sei – planeamos demais, calculamos ao milímetro, não vivemos; cumprimos um plano. E se olharmos para trás acabamos por perceber que alguns dos momentos mais fantásticos da nossa vida aconteceram por acaso, sem qualquer plano. E ainda assim, parece que teimamos em não aprender…. Saboreamos, desfrutamos, mas quando voltamos ao nosso medo de viver, tornamos a planear… sem termos presente em todo e a cada momento que, na vida, o que muda tudo são detalhes, imprevistos, situações, pessoas e momentos inesperados! Aquilo que o magnífico filme Ensemble c’est tout nos ensina a chamar de poder transformador das pequenas coisas…
O contexto favorecia…sozinho numa cidade estrangeira, acabado de chegar, tinha de suprir uma necessidade básica – almoçar. Fi-lo, sozinho ainda. Depois de acabar – rápida refeição, pois se há momento deprimente na vida é ter de comer sozinho – apeteceu-me caminhar… Nunca tinha estado nesta carismática cidade basca de Bilbao e parece que toda a vida caminhei por estas ruas. É estranho isto – premonitório. Como se o meu destino final naquele dia fosse simplesmente encontrar aquele magnífico jardim… Encontrei-o, esplêndido, com árvores de que não sei o nome, mas que me apetecia que pudessem conversar comigo e partilhar as inúmeras histórias a que por ali já assistiram… lagos, fontes, canteiros, flores, casais de namorados, amigos, gente que passa por ali a seguir ao almoço à procura de uma pausa no frenético quotidiano em que gostamos de nos perder. Avós com os netos, alguns com os netos e os filhos (é espantoso o sentimento de pertença e solidariedade familiar que se sente aqui!), crianças a brincar… até gente que simplesmente passa por ali a caminho dos seus destinos imediatos, que cruzam as avenidas deste imenso parque como se estivessem a atravessar uma passadeira – importante é chegar rápido ao outro lado. Será que algum dia irão perceber que só lugares mágicos como este nos podem trazer a paz interior que precisamos??
Fui-me embora. Queria regressar, mas vestido à altura. Ou seja, despido de objectos – sem telemóveis, ipod’s, cartões, nada. Só o meu livro do momento. E assim regressei. Sentei-me. Olhei em redor. Senti-me em paz (num dia em que precisava tanto). Fechei os olhos. E pensei em ti.
Era inevitável. Ao mesmo tempo que tudo isto acontecia – chegada para férias, cidade e país por descobrir, o sentimento de aventura, almoço sozinho, descoberta interior proporcionada por um lugar de magia e esperança (de que o mundo pode sempre voltar a sorrir-nos!) – tudo ficou muito claro na minha cabeça, no meu coração. Como se uma lucidez incontestável estivesse ali diante de mim, assumindo a forma de uma árvore que, com a sua sabedoria secular, me dissesse baixinho ao ouvido todas as coisas que não tenho coragem de me dizer a mim mesmo. E que me impedem de viver.
Mas ao mesmo tempo, tudo parece não fazer sentido algum. Já não és minha, apesar de saber que apenas contigo eu fui verdadeiramente de alguém. Amar-te-ei para sempre, disse-to desde o primeiro ao último minuto – mesmo quando nos separámos. Mas as nossas vidas seguiram caminhos tão diferentes! E hoje não tenho a lucidez de conseguir ver – onde está a árvore agora!? – o que vai acontecer a seguir.
Mas estou sereno. Sei que vou ser feliz. Que vou voltar a amar.
E de hoje a uma semana, quando as férias e esta aventura de descobrir lugares, cheiros, sabores (as pequenas coisas que transformam sítios banais como jardins em momentos transformadores das nossas vidas) saberei com toda a certeza que tudo isto faria muito mais sentido contigo aqui ao meu lado.
Sabes uma coisa? Sempre juntos, sempre. Mesmo que nunca mais a vida faça cruzar os nossos caminhos. Não tenho plano nenhum. Sei, bem no meu íntimo, que alguma pequena coisa transformará a minha vida.
Como uma ida ao parque.
Tuesday, May 29, 2007
Será possível que me inspires (ainda)?
É um sentimento bom. De reencontro, de paz e equilíbrio espirituais. Olho para trás, olho para ti, vejo-nos.
O calor no meu coração é bom - é memória, é recordação. Sentir que deixaste na minha vida, para sempre, uma indelével marca de felicidade e realização. Saber que tu - e só tu, na verdade - me fizeste sentir pleno, realizado, feliz. Pleno.
E ter consciência de que - ainda que me tenhas feito sofrer (desiludiste-me?) - a marca tua que fica na minha existência perdurará muito além da tua própria presença na minha vida.
É um sentimento único. Será possível que ainda me inspires? Que por tua causa, por aquilo que demos um ao outro, continue a acreditar no amor como no nosso primeiro dia?
Inspiras-me tanto e com tanta certeza, ainda que tenha a certeza que não será contigo que o vou reencontrar (ao amor)?
Thursday, May 24, 2007
Será possível explicar?
Tenho saudades tuas.
Da ansiedade de preparar-te uma surpresa... de perder tempo infinito a estudar os teus gostos, aquilo que te faz feliz, para que possa, através de pequenos gestos diários, ganhar um desses teus sorrisos lindos. E todos os dias conquistar o teu amor. Como se fosse o primeiro dia da nossa vida.
Preciso do sentido que dás à minha vida. Que soubeste dar. Que preciso para saber viver. Para (re) aprender a amar.
Onde estás? Porque foste? Voltarás? Pertencerei-te-ei para sempre. Como para sempre, da forma mais secreta se necessário, te amarei.
Tenho saudades tuas.
Da ansiedade de preparar-te uma surpresa... de perder tempo infinito a estudar os teus gostos, aquilo que te faz feliz, para que possa, através de pequenos gestos diários, ganhar um desses teus sorrisos lindos. E todos os dias conquistar o teu amor. Como se fosse o primeiro dia da nossa vida.
Preciso do sentido que dás à minha vida. Que soubeste dar. Que preciso para saber viver. Para (re) aprender a amar.
Onde estás? Porque foste? Voltarás? Pertencerei-te-ei para sempre. Como para sempre, da forma mais secreta se necessário, te amarei.
Tenho saudades tuas.
Thursday, March 08, 2007
O Dia Internacional da Mulher
Que melhor ocasiao para voltar a escrever do que assinalar o Dia Internacional da Mulher?
Porque hao-de ser apenas as mulheres a celebrar este dia se nós, homens, somos os mais afortunados de as ter nas nossas vidas?
Acho que podemos aproveitar para lhe prestar a devida homenagem, a tudo o que de fantástico e maravilhoso elas trazem, de forma única, às nossas existências?
Mas falar da Mulher, é inevitavelmente falar de amor.... da nossa capacidade de amá-las, de dar-lhes tudo o que merecem.....para podermos ser verdadeiramente felizes..
Uma amiga recordou-me hoje um poema de William Butler Yeats....A Drinking Song.
Trouxe-me de imediato à memória a música de Joni Mitchell, A case of you, cantada pela Cristina Branco....
Just before our love got lost you said
I am as constant as a northern star
And I said, constant in the darkness
Wheres that at?
If you want me Ill be in the bar
(...)
Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
Im frightened by the devil
And Im drawn to those ones that aint afraid
I remember that time that you told me, you said
Love is touching souls
Surely you touched mine
Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time
Oh you are in my blood like holy wine
And you taste so bitter but you taste so sweet
Oh I could drink a case of you
I could drink a case of you darling
Still Id be on my feet
And still be on my feet
I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said
Color go to him, stay with him if you can
Oh but be prepared to bleed
Poder dizer-se a alguém que beberia uma caixa inteira de ti..... e continuar bem lúcido, ainda que embriagado de amor.. é inigualável...
Interpretado por Diana Krall, aqui....
Monday, December 25, 2006
A busca da felicidade....
O neuropsiquiatra Boris Cyrulnik, numa entrevista à Visão (14.12.2006) explana as suas teorias sobre o desenvolvimento cerebral, nomeadamente no que diz respeito à maneira como lidamos com a felicidade/infelicidade..
Finaliza abordando a forma como lidamos com a infelicidade em particular, sintetizando com esta dicotomia:
- perante a infelicidade, posso ficar só com o meu relato, fechar-me na ruminação: «não valho nada, nunca sairei disto», acedendo à zona cerebral do sofrimento;
- ou, pelo contrário, posso descentrar-me de mim mesmo, colocar as minhas recordações em palavras para contar a outro. Isto é o princípio da psicoterapia, com a correspondente sensação de alívio.
A vida já me tinha ensinado isto, mas fica aqui traduzido em palavras.....
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